BLOG DA PRÔ THAÍS RUSSO

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sábado, 10 de julho de 2010



Hipóteses de Leitura









Hoje é possível saber que, assim como as hipóteses sobre como se escreve são contribuições originais das crianças, a distinção entre o que está escrito e o que se pode ler também resulta de uma elaboração do aprendiz.


Isso não significa que as informações recebidas tanto dentro como fora da escola deixem de ter um papel nesta construção, e sim que a compreensão de que se escreve cada seguimento do que se fala, por exemplo, não é passível de transmissão direta nem é, como se pensava, evidente por si mesma.


Mas o que, de fato, saber sobre a distinção entre o que está escrito e que se pode ler elaborada pelo aprendiz contribui para a prática pedagógica?


As informações sobre as “ hipóteses de leitura” indicam que:




1- As idéias dos alunos sobre o que está escrito e o que se pode ler evoluem de acordo com as oportunidade de contato com a escrita; portanto, promover variadas situações de leitura- em que os alunos participem de forma ativa, ou testemunhem atos de leitura e escrita como parte interessada- favorece a conquista da correspondência exaustiva entre os seguimentos do enunciado oral e os seguimentos gráficos.




2- Ler em voz alta uma oração ou um texto marcado oralmente de forma artificial as fronteiras de cada um dos seguimentos escritos, ou solicitar que os alunos pintem os espaços entre as palavras (como se eles tivessem dificuldades para perceber o “vazio” que separa graficamente as palavras) não garante sua compreensão de que tudo o que foi dito deve estar escrito, e escrito na mesma ordem emitida.


As informações fornecidas pelo professor são processadas pelo aprendiz de acordo com suas próprias concepções. Em outras palavras: os alfabetizandos não possuem problemas de percepção quando não compreendem esse fato tão óbvio ao olhar alfabetizado - o de que tudo o que se diz deve estar escrito na mesma ordem da emissão. Mas a conceitualizaçã o que possuem ainda não dá conta da questão, e avançarão na medida em que tiverem oportunidade de participar em situações de aprendizagem que demandem refletir sobre o que deve estar escrito em cada “ pedaço” dos textos.




3- Oferecer textos que os alunos conhecem de cor ( parlendas, poesias, canções, quadrinhas etc) e solicitar que acompanhem a leitura indicando com o dedo costuma ser uma boa situação para que possam reorganizar suas idéias sobre o que está escrito e o que se pode ler. Solicitar que localizem neses textos determinados substantivos, adjetivos, verbos e até “partes pequenas” – artigos, preposições etc- pode ser uma boa intervenção por parte do professor.


Por exemplo, ao realizar uma atividade de leitura de uma quadrinha ou canção que as crianças sabem de cor, é interessante que, enquanto elas vão dando conta de localizar as palavras que acreditam estarem escritas, o professor vá propondo a localização de outras mais “difíceis”. Obseve a quadrinha :








PIRULITO QUE BATE BATE




PIRULITO QUE JÁ BATEU




QUEM GOSTA DE MIM É ELA




QUEM GOSTA DELA SOU EU








.Além de pedir para localizar “pirulito” e de perguntar com que letra começa ou termina, é possível propor inúmeras questões para os alunos pensarem. Pode-se notar que há inúmeras palavras repetidas.


Para crianças que ainda não avançaram muito em direção á idéia de que tudo o que se lê precisa estar escrito, isso soa absurdo. Mas, como as dificuldades são de ordem conceitual, e não perceptual, salta-lhes aos olhos que existem vários “pedaços” idênticos. Mais precisamente cinco pares.


Quatro se repetem na mesma posição, no verso seguinte e um (Bate) no mesmo verso. Apoiar o esforço dos alunos para descobrir o que está escrito em cada par e em cada um dos outros pedaços é a tarefa do professor. Lançando uma questão de cada vez, analisando as respostas para formular a seguinte e, dialogando, ir avançando com eles






.4- O trabalho com listas ( de animais, brincadeiras preferidas, ajudantes da semana etc) também é adequado na fase inicial da alfabetização, pois além de ser um tipo de texto que vê de encontro à idéia das crianças de que só os nomes estão escritos, permite que elas, diante de uma situação de leitura de lista, antecipem o significado de cada item, guiadas pelo contexto((animais, brincadeiras etc) e, na situação de escrita de lista, concentrem na palavra e reflexão sobre quais letras usar, quantas usar, em que ordem usar.




5- Iniciar a alfabetização pelas vogais e palavras como “ ovo, uva, pé, em lugar de facilitar, pode acabar dificultando a aprendizagem dos alunos. Essa escolha didática desconsidera que, no início de seu processo, os alfabetizandos acreditam que palavras com poucas letras não podem ser lidas. Portanto, centrar a fase inicial da alfabetização em atividades com esse tipo de palavras- tidas como fáceis- significa caminhar na contramão das idéias dos aprendizes.






6- O conhecimento das “hipóteses de leitura” n ao deve se transformar em um recurso para categorizar os alunos, mas sim estar a serviço de um planejamento de atividade que considere as representações dos alunos e atenda suas necessidades de aprendizagem.




7- É preciso cuidado para não confundir hipóteses de leitura com estratégias de leitura: são coisas diferentes. As idéias que as crianças têm a respeito do que está escrito e do que se pode ler, isto é, as hipóteses de leitura, são de natureza conceitual. Já as estratégias de leitura- antecipação, inferência, decodificação e verificação- são recursos que os leitores- todos, tanto os iniciantes como os competentes- usam para produzir sentido enquanto lêem um texto. São estratégias de natureza procedimental, o que significa que são constituídas e desenvolvidas em situações de uso.




8- É fundamental desfazer um equívoco generalizado. Muitos professores pensam que as conhecidas hipóteses de escrita- pré-silábica, silábica, alfabética- são também hipóteses de leitura. Não há fundamento para dizer que um aluno é, por exemplo, sil´bico na leitura. É importante que os professores compreendam que, quando um aluno escreve IOA e, solicitado a ler, aponta I ( para PI), O ( para PO), A ( para CA), ele está explicando o que pensou enquanto escrevia. Está explicando sua hipótese de escrita. Está justificando sua escrita. O que poderíamos chamar de hipóteses de leitura são as soluções que o aluno produz quando solicitado a interpretar um texto escrito por outra pessoa, como é possível observar no programa O que está escrito e o que se pode ler.

sábado, 29 de maio de 2010











O quebra-cabeça das modalidades organizativas









Integrar atividades permanentes, sequências didáticas e projetos de ensino requer planejamento e conhecimento claro dos conteúdos.





Luiza Andrade /Arthur Guimarães - Site revista Nova Escola 01/2009





Você já sabe o que ensinar ao longo do ano com base nas expectativas de aprendizagem de cada disciplina. Falta agora saber como colocar tudo isso em prática no dia-a-dia da sala de aula. A pesquisadora argentina Delia Lerner classificou o trabalho em classe em três grandes blocos








- atividades permanentes, sequências didáticas e projetos didáticos -, que hoje são conhecidos como modalidades organizativas. Como em um jogo de encaixar peças, planejar o uso dos três ao longo do ano exige visão global do processo e capacidade de projetar cenários e encadear situações, pois eles são módulos complementares que podem ser interligados ou usados separadamente, em montagens que devem levar em consideração os objetivos e os conteúdos a trabalhar. "Toda essa rede de atividades tem de estar desenhada antes mesmo de começar o ano letivo. De preferência, numa tabela. O ideal é começar do todo e ir aos poucos, criando as ramificações. Fazer esse tipo de previsão ajuda a guiar os passos, evita a sobreposição de assuntos e clareia o ponto de partida e o de chegada", explica Andrea Guida, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária. Para ela, esse tipo de organização deve ser compartilhado por todos os professores, independentemente de série ou disciplina. "Planejar dessa forma ajuda a pensar o progresso dos alunos e favorece a retomada consciente de conteúdos durante a vida escolar. Se determinada turma leu muitos contos de fadas no 1º ano, vai realizar mais facilmente um projeto de produção de um livro quando chegar ao 2º", exemplifica. "Mas estabelecer esse tipo de rotina não significa criar uma camisa de força. A ideia é programar cada detalhe, com materiais e abordagens pré-analisadas e estudadas, mas saber que imprevistos podem surgir." As definições e especificidades de cada uma das modalidades organizativas são bem claras.








As atividades permanentes devem ser realizadas regularmente (todo dia, uma vez por semana ou a cada 15 dias). Normalmente, não estão ligadas a um projeto e, por isso, têm certa autonomia.








As atividades servem para familiarizar os alunos com determinados conteúdos e construir hábitos. Por exemplo: a leitura diária em voz alta faz com que os estudantes aprendam mais sobre a linguagem e desenvolvam comportamentos leitores. Ao planejar esse tipo de tarefa, é essencial saber o que se quer alcançar, que materiais usar e quanto tempo tudo vai durar. Vale sempre contar para as crianças que a atividade em questão será recorrente - ao longo do semestre ou mesmo do ano todo.












Já a sequência didática é um conjunto de propostas com ordem crescente de dificuldade. Cada passo permite que o próximo seja realizado. Os objetivos são focar conteúdos mais específicos, com começo, meio e fim (por exemplo, a regularidade ortográfica). Em sua organização, é preciso prever esse tempo e como distribuir as sequências em meio às atividades permanentes e aos projetos. É comum confundir essa modalidade com o que é feito no dia-a-dia. A questão é: há continuidade? Se a resposta for não, você está usando uma coleção de atividades com a cara de sequência.








Por fim, temos o projeto didático, modalidade que muitas vezes se confunde com os projetos institucionais (que envolvem a escola toda). Suas principais características são a existência de um produto final e objetivos mais abrangentes. Os erros mais comuns em sua execução são certo descaso pelo processo de aprendizagem, com um excessivo cuidado em relação à chamada culminância.


























MODALIDADES ORGANIZATIVAS DO TRABALHO PEDAGÓGICO






ATIVIDADE PERMANENTE: seleção de material, organização do espaço e do tempo pelo professor, objetiva ampliar o repertório do aluno, pode ser ligada a registros escritos.






SEQUÊNCIA DIDÁTICA: não tem pesquisa do aluno, deve partir das linguagens e não de um tema. Prevê total ação do professor na seleção do que fazer, como fazer, sua gradação e tempo e ele controla todas as etapas de forma que elas promovam desafios graduais a medida que acontecem.






PROJETO: intervenção social (o grupo detecta uma situação-problema social/real), abrange diversas áreas curriculares, diferentes linguagens, problematização, autonomia do aluno, produto final ( resposta ao problema inicial).










SISTEMATIZAÇÃO: não tem pesquisa do aluno, é utilizada para o trabalho com determinado conteúdo (fixar ou aprofundar) necessário para o andamento de uma sequência didática, por exemplo.














Fonte:






NERY,Alfredina.








Modalidades organizativas do trabalho pedagógico: uma possibilidade. Ensino fundamental de nove anos : orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade / organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. –Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007

sábado, 3 de abril de 2010













Sondagem









As investigações sobre a psicogênese da língua escrita permitem ao professor atuar como mediador no processo ensino-aprendizagem e fornecer pistas para o aprendiz tornar-se alfabético. Nesse processo, a sondagem diagnóstica capacita o educador a conhecer as hipóteses das crianças envolvidas.
Para realizar uma sondagem escolhe-se quatro palavras ( uma polissílaba, uma trissílaba, uma dissílaba e uma monossílaba, nesta ordem) e uma frase de um mesmo campo. Uma das palavras ditadas anteriormente deve aparecer nesta frase.









Exemplo:





Lista de animais





Elefante





Cavalo





Pato










O pato está na lagoa.









Pegue uma folha de sulfite e peça para a criança escrever do jeito que souber as palavras que serão ditadas e coloque o nome e a data no topo da folha. É importante pedir para que a criança leia, apontando as letras e os sinais correspondentes à fala. A partir do material investigado em uma sondagem, pode-se refletir sobre o pensamento da criança e perceber sua hipótese lingüística.
























Caracterização da fase pré-silábica A criança quando está neste nível apresenta algumas fases bem definidas: a fase pictórica, fase gráfica primitiva e fase pré-silábica.
Fase Pictórica: a criança registra garatujas e desenhos.
Exemplo:























Fase Gráfica Primitiva:








a criança registra símbolos ou números misturados com letras.
Exemplos:




NπTB∞J ( CARRO )




VNG7K9L ( ÁRVORE )






Fase Pré-silábica:








a criança começa a diferenciar letras de símbolos e números.
Exemplo:




TRGHJ ( MOCHILA )



LKSLKJWKN ( BANANA )






Caracterização da fase silábica






A criança conta os “pedaços sonoros”, isto é, as sílabas, e coloca um símbolo



( letra ) para cada pedaço.



Essa noção de cada sílaba corresponder a uma letra pode acontecer com valor ou sem valor sonoro.



Exemplos:




JH ( PATO ) YR ( PATO) s/ valor sonoro



PT ( PATO ) AO ( PATO) c/ valor sonoro









Caracterização da fase silábico-alfabético






É um momento conflitante, pois a criança precisa negar a lógica do nível silábico. É quando o valor sonoro torna-se imperioso, e a criança começa a acrescentar letras principalmente na primeira silábica.
Exemplos:




CAVL ( CAVALO )



TOAT ( TOMATE )









style="font-size:180%;color:#6600cc;">Caracterização da fase alfabética
style="font-size:180%;">


style="color:#6600cc;">A criança reconstrói o sistema lingüístico e compreende a sua organização.
Exemplo:
Ela que os sons C e A são grafados CA e que S e A são grafados SA e que, juntos significam CASA.







Ortográfico:





a criança apresenta-se na fase alfabética e necessita da ajuda do professor na ortografia.
Exemplo:




caza,





conheceno,





moxila,





nois,





vamus,





aí ele foi lá,





daí aconteceu.






Hipersegmentação:






a onde
em bora
vi zita







hiposegmentação:



fiquerrendo (fique correndo)




menetinha (minha netinha)



mucuidado (muito cuidado)











domingo, 17 de janeiro de 2010














Plano de aula Módulo mínimo de planejamento, essa atividade é dada em uma única aula. Pode ser avulsa ou estar inserida em uma seqüência didática ou em um projeto.Devem estar claros para o professor: o conteúdo a ser trabalhado, os objetivos de aprendizagem, que recursos serão necessários para desenvolver a aula e como será avaliado o aproveitamento do aluno.Projetos de ensinoTem duração longa, pode levar até um ano. Envolve a construção de um produto final – um livro, uma exposição, uma campanha, por exemplo – destinado a um público definido, que podem ser outros alunos, os pais, os moradores do bairro etc. Nesse caso, a participação da turma se dá em todas as etapas do planejamento.Seqüência didáticaNessa modalidade, a duração é limitada a algumas semanas de aula. O conteúdo é mais específico que o de um projeto e é explorado em atividades seguidas, que se tornam cada vez mais complexas.Plano de ensinoÉ o planejamento do que vai ser trabalhado durante o semestre ou o ano letivo.No caso do professor polivalente, envolve os objetivos de aprendizagem de todas as disciplinas, os conteúdos a serem trabalhados, os procedimentos a serem utilizados, os recursos didáticos e as formas de avaliação.

O que é letramento (parte l e ll)
















LETRAMENTO NÃO É UM GANCHO



EM QUE PENDURA CADA SOM ENUNCIADO,




NÃO É TREINAMENTO REPETITIVODE UMA HABILIDADE,




NEM UM MARTELO QUEBRANDO BLOCOS DE GRAMÁTICA.



LETRAMENTO É DIVERSÃO




É LEITURA À LUZ DA VELA




OU LÁ FORA, À LUZ DO SOL.




SÃO NOTÍCIAS SOBRE O PRESIDENTEO TEMPO,




OS ARTISTAS DA TV E MESMO MÔNICA E CEBOLINHA




NOS JORNAIS DE DOMINGO.




É UMA RECEITA DE BISCOITO,




UMA LISTA DE COMPRAS,




RECADOS COLADOS NA GELADEIRA,




UM BILHETE DE AMOR,




TELEGRAMAS DE PARABÉNS




E CARTAS DE VELHOS AMIGOS.




É VIAJAR PARA PAÍSES DESCONHECIDOS




SEM DEIXAR SUA CAMA,




É RIR E CHORARCOM PERSONAGENS,




HERÓIS E GRANDES AMIGOS.




É UM ATLAS DO MUNDO,




SINAIS DE TRÂNSITO,




CAÇAS AO TESOURO,



MANUAIS, INSTRUÇÕES, GUIAS,




E ORIENTAÇÕES EM BULAS DE REMÉDIOS,




PARA QUE VOCÊ NÃO FIQUE PERDIDO.




LETRAMENTO É, SOBRETUDO,




UM MAPA DO CORAÇÃO DO HOMEM,




UM MAPA DE QUEM VOCÊ É,




E DE TUDO QUE VOCÊ PODE SER.





CHONG, Kate M. O que é letramento. In Sores, Magda Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. (p.410









O que é letramento? ll






As crianças convivem com a língua oral em diferentes situações de interação social e, por meio desta, aprendem sobre si, sobre os seus pares e sobre a realidade que as cercam. Estão igualmente cercadas de situações nas quais estão presentes as práticas sociais de leitura e escrita, como, por exemplo: escrita de cartas, bilhetes e avisos, leitura de rótulos de embalagens, placas e outdoors, escuta de histórias, poemas e parlendas, dentre outros.
Sabe-se que crianças que estão inseridas em ambientes ricos em experiências de leitura e escrita, não só se motivam para ler e escrever, mas, começam, desde cedo, a refletir sobre os materiais de escrita que circulam socialmente. Em contrapartida, aquelas que têm poucas oportunidades de acesso a estes materiais, apresentam mais dificuldades na apropriação da língua. Negar-lhes a oportunidade e o direito às práticas sociais de leitura e escrita, é, sobretudo, contribuir para manutenção e perpetuação da desigualdade e exclusão social em nosso país.
Portanto, cabe aos professores, responsáveis pelo ensino da leitura e da escrita, oferecer oportunidades de acesso a cultura escrita, ampliando as capacidades e as experiências das crianças de modo que elas possam ler e escrever com autonomia.
Para tanto, faz necessário que, por meio das práticas alfabetizadoras, contemplem, de maneira articulada e simultânea, os processos de alfabetização e o letramento, ou seja, a apropriação do sistema alfabético e ortográfico e o uso da língua em práticas sociais de leitura e escrita.
Segundo Magda Soares, o desenvolvimento de habilidades de uso da tecnologia da escrita, isto é, da apropriação do sistema alfabético e ortográfico, acontece por meio da inserção em práticas sociais que envolvem a leitura e escrita: letramento.
Letramento é: usar a leitura e a escrita para seguir instruções (receitas, bula de remédio, manuais de jogo), apoiar à memória (lista), comunicar-se (recado, bilhete, telegrama), divertir e emocionar-se (conto, fábula, lenda), informar (notícia), orientar-se no mundo (o Atlas) e nas ruas (os sinais de trânsito)...
O letramento tem início quando a criança começa a conviver com as diferentes manifestações da escrita na sociedade e se amplia cotidianamente por toda vida, com a participação nas práticas sociais que envolvem a língua escrita. Abarca as mais diversas práticas de escrita na sociedade e pode ir desde uma apropriação mínima da escrita, tal como o individuo que é analfabeto, mas letrado na medida em que identifica o valor do dinheiro e o ônibus que deve tomar, consegue fazer cálculos complexos, sabe distinguir marcas de mercadorias etc., porém não escreve cartas, não lê jornal, etc. Se a criança não sabe ler, mas pede que leiam histórias para ela, ou finge estar lendo um livro, se não sabe escrever, mas faz rabiscos dizendo que aquilo é uma carta que escreveu para alguém, é letrada, embora analfabeta, porque conhece e tenta exercer, no limite de suas possibilidades, práticas de leitura e de escrita.
Para Soares, o aprendizado da tecnologia da escrita e o uso da mesma em diferentes práticas sociais constituem dois processos simultâneos, interdependentes e indissociáveis. Estas duas aprendizagens se fazem ao mesmo tempo, porém uma não é pré-requisito da outra.
A alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da alfabetização.
Alfabetizar letrando significa orientar o/a alfabetizando/a para que ele/a aprenda a ler e a escrever na perspectiva da convivência com práticas reais de leitura e de escrita. Isto implica em substituir as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos.
ALFABETIZAR LETRANDO: ação de ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais de leitura e escrita.



A avaliação escolar...














A avaliação é a parte mais importante de todo o processo de ensino-aprendizagem. Avaliar é mediar o processo ensino/aprendizagem, é oferecer recuperação imediata, é promover cada ser humano, é vibrar junto a cada aluno seu progresso.A avaliação deve ser um auxílio para se saber quais objetivos foram atingidos, quais ainda faltam e quais as interferências do professor que podem ajudar o aluno. Mas deixa de ser somente um objeto de certificação de objetivos, mas também se torna necessária como instrumento de diagnóstico e acompanhamento do processo de aprendizagem. A avaliação do aproveitamento de alunos, por exemplo, pode basear-se em critérios reduzidos, apenas à memorização de conteúdos, ou pode basear-se em critérios que visem ao crescimento pessoal dos alunos, no que diz respeito as suas atitudes, liderança, conscientização crítica e cidadã. A avaliação tem de adequar-se à natureza da aprendizagem, levando em conta não só os resultados das tarefas realizadas, o produto, mas também o que ocorreu no caminho, o processo. Para isso é preciso observar:Que tentativas o aluno fez para realizar a atividade?Que dúvidas manifestou?Como interagiu com os outros alunos?Demonstrou alguma independência?Revelou progressos em relação ao ponto em que estava?"A avaliação deixa de ser um instrumento de classificação, baseado somente em notas e provas, para ser um processo de mediação dos avanços de aprendizagem, respeitando o ritmo de cada aluno

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009




Atividades a serem realizadas de acordo com a hipótese de escrita





Hipótese Pré- silábica

- Iniciar pelos nomes dos/as alfabetizandos escritos em crachás,listados no quadro e/ou em cartazes;

- Trabalhar com textos conhecidos de memória, para ajudar na conservação da escrita;

- Identificar o próprio nome e depois o de cada colega, percebendo que nomes maiores podem pertencer às crianças menores e vice-versa;

- Organizar os nomes em ordem alfabética,ou em “galerias” ilustradas com retratos ou desenhos;

- Criar jogos com os nomes: “lá vai a barquinha”,dominó, memória,boliche, bingo;


- Fazer contagem das letras e confronto dos nomes;

- Confeccionar gráficos de colunas com os nomes seriados em ordem de tamanho (número de letras).Fazer estas mesmas atividades utilizando palavras do universo dos/as alfabetizandos/as: rótulos de produtos conhecidos ou recortes de revistas (propagandas, títulos,palavras conhecidas);


- Classificar os nomes;

- Copiar palavras inteiras;

- Contar número de letra ou palavra de uma frase;


- Pintar intervalos entre as palavras;


- Completar letras que faltam de uma palavra;

- Ligar palavras ao número de letras e a letra inicial;


- Circular ou marcar letra inicial ou final;

- Circular ou marcar letras iguais ao seu nome ou palavra-chave;

- Produção de textos, ditados, listas.





Hipótese silábica

- Fazer listas e ditados variados

(de alfabetizandos/as ausentes e/ou presentes, de livros de histórias,

de ingredientes para uma receita,nomes de animais,questões para um projeto);

- Trabalhar com textos conhecidos de memória, para ajudar na conservação da escrita;

- Ditado de palavras do texto;

- Análise oral e escrita do número de sílaba,sílaba inicial e final das palavras do texto;
- Lista de palavras com a mesma silaba final ou inicial;

- Escrever palavras dado a letra inicial;

- Ligar desenho a primeira letra da palavra;

- Usar jogos e brincadeiras (forca,cruzadinhas,caça-palavras);


















- Organizar supermercados e feiras; fazer “dicionário” ilustrado com as palavras aprendidas,diário da turma, relatórios de atividades ou projetos com ilustrações e legendas;


















- Propor atividades em dupla (um dita e outro escreve), para reescrita de notícias, histórias, pesquisas, canções, parlendas e trava-línguas;


















- Produção de textos, ditados, listas.




























































Hipótse Alfabética-







































Ordenar frases do texto;


















- Completar frases, palavras, sílabas e letras das palavras do texto;


















- Dividir palavras em sílabas;


















- Formar palavras a partir de sílabas;


















- Ligar palavras ao número de sílabas;


















- Produção de textos, ditados, listas.













































Hipótese Alfabética





































- Investir em conversas e debates diários;


















- Possibilitar o uso de estratégias de leitura, além da decodificação;


















- Considerar o “erro” como construtivo e parte do processo de aprendizagem;


















- Produção coletiva e diversos tipos de textos;


















- Análise lingüística das palavras;


















- Reescrita de texto (individual / coletiva);


















- Revisão de texto;


















- Atividades de escrita:complete, forca,enigma, stop,cruzadinha, lacunado,caça-palavra.






































quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Níveis de Evolução da escrita e da Leitura

Os níveis da escrita infantil


Para entender os níveis da escrita infantil

Pré-silábico:

quando a criança se encontra no nível da garatuja (rabiscos);

Silábico sem valor sonoro convencional:

quando a criança escreve uma letra para cada sílaba. Por exemplo: Para boneca ela escreve TMZ;

Silábico com valor sonoro convencional:

quando a criança escreve uma letra para cada sílaba também, mas com as letras que pertence a palavra, como por exemplo:

Para boneca ela escreve: OEA ou BNC, ou então BEA...

Silábico alfabético:

quando a criança já começa a ter a noção de sílaba, como por exemplo:Para boneca escreve: BONCA, ou BNCA...E no nível alfabético quando ela já escreve alfabeticamente, mas podem ocorrer erros de ortografia, como:

para cachorro ela escreve CAXORRO...

Mas para saber realmente em que nível a criança se encontra, a escrita tem que ser seguida da leitura. Assim que você pedir para a criança escrever uma palavra fazer com que ela leia-a em seguida com os dedinhos, marcando assim sua escrita.












A criança e seu caminho:

Níveis conceituais:

Chamamos psicogênese da alfabetização o caminho que a criança percorre na apropriação da linguagem escrita.Ao percorrer esse caminho, a criança parece refazer o processo vivido pela humanidade em tempos históricos distintos.O caminho trilhado pela criança se caracteriza por uma sequência de níveis ligados a uma hierarquia de procedimentos, noções e representações. Um nível seria o estilo de comportamento da criança para solucionar problemas em um dado momento de seu processo construtivo do novo saber. Vale salientar que problemas são considerados situações intelectuais benéficas para as quais se busca uma explicação, uma resposta.Caracterizar os níveis não implica entendê-los como algo linear, por etapas, como se a criança tivesse de adquirir a noção A antes de B, ou C depois de B, e assim por diante. A psicogênese da língua escrita envolve uma complexidade que não pode ser inteiramente previsível ou ser vista de fora para dentro. Pode acontecer que as noções A e B sejam adquiridas numa ou noutra ordem, ou simultaneamente. Então, podemos entender que a sequência dos níveis não se apresenta como uma ordem total prefixada, mas sim de modo parcial.





Nível Pré-Silábico Característica Geral :A criança ainda não estabelece uma relação biunívoca entre a fala e as diferentes representações. Acredita que se escreve com desenhos.Suas questões podem situar-se tanto no campo semântico quanto nos aspectos físicos da escrita, como a forma e a função das letras e números.Objetivos Didáticos- Reconhecer qual papel as letras desempenham na escrita;- distinguir imagem de texto e letras de números;- compreender o vínculo entre discurso oral e texto.Vivências Necessárias- Estar imersa em um ambiente rico em materiais (tanto na variedade dos suportes gráficos quanto na diversidade dos gêneros dos textos), sendo espectadora e interlocutora de atos de leitura e escrita;- tomar contato com todas as letras, palavras e textos simultaneamente;- ouvir, contar e escrever histórias;- memorizar globalmente as palavras significativas (seu nome, nome dos colegas, professora, pais, etc.);- analisar a constituição das palavras quanto à letra inicial, final, quantidade de letras, letras que se repetem, letras que podem ou não iniciar palavras, letras que podem ocupar outras posições nas palavras;- introduzir os aspectos sonoros através das iniciais das palavras significativas;- analisar a distribuição espacial e a orientação da frase.Algumas condutas típicas- Uma criança, no nível pré-silábico, usa, para escrever, qualquer letra, em qualquer ordem.- A palavra escrita pode mudar de significado, dependendo da ocasião, porque está relacionada a seu desejo.- Para ser legível, a palavra tem de apresentar letras variadas.- Não acredita que letras e sílabas podem ser repetidas em uma palavra.



Definição/CaracterísticaTodo o nível intermediário representa um momento de crise, em virtude dos inúmeros conflitos que a criança vivencia nesse ponto do processo de sua construção.
No Nível Intermediário I, a criança já conhece os valores sonoros de algumas letras, começando a ter uma consciência difusa da ligação entre fala e escrita.Esse possível vínculo (elementos da pauta sonora X escrita) possibilita que a criança questione suas concepções do nível pré-silábico.
As palavras passam a ter certa estabilidade externa porque as crianças estão vinculadas a uma outra pessoa, que lhes assegura que a palavra deve ser escrita com tais letras e em tal ordem.Culminância do nível- A criança reconhece que as palavras são estavelmente constituídas.- A conquista de tal estabilidade é conseguida através de um trabalho amplo com a escrita de muitas palavras significativas.ObservaçãoAlgumas crianças, ao perceberem a não-consistência de suas hipóteses sobre o sistema de escrita, vivenciam o conflito cognitivo, necessário para a substituição das hipóteses insuficientes por outras mais produtivas; às vezes, tornam-se inseguras e aparentemente regridem no processo. Nesse momento delicado, o professor precisa encorajá-las, sem apontar-lhes as soluções, que só elas mesmas poderão encontrar, através de novos confrontos, de observações e de interações com os pares e com um professor que informa de acordo com o nível atual do alfabetizando.







Nível Conceitual - Pré-silábico 1

As crianças vão vislumbrando que a escrita tem a ver com a pronúncia das partes de cada palavra.* As crianças produzem riscos e/ou rabiscos típicos da escrita que tem como forma básica a letra de imprensa ou a cursiva, podendo então realizar riscos separados com linhas curvas ou retas, ou risicos ondulados e emendados mecanicamente.* As crianças fazem tentativas de correspondência figurativa entre a escrita e o objeto referido.* Somente quem escreve pode interpretar o que está escrito.* A escrita ainda não está construída como objeto substituto.* As crianças acham que os nomes das pessoas e das coisas têm relação com o seu tamanho ou idade: As pessoas, animais ou objetos grandes devem ter nomes grandes.* As crianças acreditam que se escreve apenas os nomes das coisas (substantivos).* A leitura é global.* As categorias linguísticas - letras, palavra, frase, texto - não são claramente definidas pela criança, mas já diferenciam texto de desenho/gravura.Fonte: Coleção Para Casa ou Para Sala?


Nível conceitual - Pré-silábico 2*

As crianças acreditam que para ler não podem haver duas letras iguais, uma ao lado da outra.* Reconhecem que as letras desempenham um papel na escrita. Compreendem que somente com as letras é possível escrever.* Surge a compreensão ampla da vinculação do discurso oral com o texto escrito.* Fazem distinções entre imagem, texto ou palavras, letras e números - O signo gráfico é desvinculado do figurativo. * A vinculação com a pronúncia ainda não é percebida.* A ordem e a quantidade das letras não são ainda fundamentais para a distinção de uma palavra e de outra. Duas palavras podem ser pensadas como sendo a mesma, porque possuem certas letras iguais.* As crianças já descobriram, quando lhe são apresentados materiais gráficos, que coisas diferentes têm nomes diferentes. Imprimem, então, diferenças nas grafias das palavras, muitas vezes mudando apenas a ordem das letras, princupalmente quando possuem poucos recursos gráficos. Eixo qualitativo - para que seja possível ler e escrever uma palvra, torna-se necessária uma variedade de caracteres gráficos.* As crianças, de modo geral, exigem um mínimo de três letras para ler ou escrever uma palavra. - Eixo quantitativo* As crianças fazem sempre ums correspondência global quando lêem palavras ou orações; não percebem ainda as partes. Também não fazem correspondência, termo a termo, entre o que é falado e o que é escrito.* A escrita das palavras não é estável.* A ordem das letras na palavra nãoé importante.* Categorias linguísticas (letra, palavra, frase, texto) não são bem definidas.