domingo, 17 de janeiro de 2010

O que é letramento (parte l e ll)
















LETRAMENTO NÃO É UM GANCHO



EM QUE PENDURA CADA SOM ENUNCIADO,




NÃO É TREINAMENTO REPETITIVODE UMA HABILIDADE,




NEM UM MARTELO QUEBRANDO BLOCOS DE GRAMÁTICA.



LETRAMENTO É DIVERSÃO




É LEITURA À LUZ DA VELA




OU LÁ FORA, À LUZ DO SOL.




SÃO NOTÍCIAS SOBRE O PRESIDENTEO TEMPO,




OS ARTISTAS DA TV E MESMO MÔNICA E CEBOLINHA




NOS JORNAIS DE DOMINGO.




É UMA RECEITA DE BISCOITO,




UMA LISTA DE COMPRAS,




RECADOS COLADOS NA GELADEIRA,




UM BILHETE DE AMOR,




TELEGRAMAS DE PARABÉNS




E CARTAS DE VELHOS AMIGOS.




É VIAJAR PARA PAÍSES DESCONHECIDOS




SEM DEIXAR SUA CAMA,




É RIR E CHORARCOM PERSONAGENS,




HERÓIS E GRANDES AMIGOS.




É UM ATLAS DO MUNDO,




SINAIS DE TRÂNSITO,




CAÇAS AO TESOURO,



MANUAIS, INSTRUÇÕES, GUIAS,




E ORIENTAÇÕES EM BULAS DE REMÉDIOS,




PARA QUE VOCÊ NÃO FIQUE PERDIDO.




LETRAMENTO É, SOBRETUDO,




UM MAPA DO CORAÇÃO DO HOMEM,




UM MAPA DE QUEM VOCÊ É,




E DE TUDO QUE VOCÊ PODE SER.





CHONG, Kate M. O que é letramento. In Sores, Magda Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. (p.410









O que é letramento? ll






As crianças convivem com a língua oral em diferentes situações de interação social e, por meio desta, aprendem sobre si, sobre os seus pares e sobre a realidade que as cercam. Estão igualmente cercadas de situações nas quais estão presentes as práticas sociais de leitura e escrita, como, por exemplo: escrita de cartas, bilhetes e avisos, leitura de rótulos de embalagens, placas e outdoors, escuta de histórias, poemas e parlendas, dentre outros.
Sabe-se que crianças que estão inseridas em ambientes ricos em experiências de leitura e escrita, não só se motivam para ler e escrever, mas, começam, desde cedo, a refletir sobre os materiais de escrita que circulam socialmente. Em contrapartida, aquelas que têm poucas oportunidades de acesso a estes materiais, apresentam mais dificuldades na apropriação da língua. Negar-lhes a oportunidade e o direito às práticas sociais de leitura e escrita, é, sobretudo, contribuir para manutenção e perpetuação da desigualdade e exclusão social em nosso país.
Portanto, cabe aos professores, responsáveis pelo ensino da leitura e da escrita, oferecer oportunidades de acesso a cultura escrita, ampliando as capacidades e as experiências das crianças de modo que elas possam ler e escrever com autonomia.
Para tanto, faz necessário que, por meio das práticas alfabetizadoras, contemplem, de maneira articulada e simultânea, os processos de alfabetização e o letramento, ou seja, a apropriação do sistema alfabético e ortográfico e o uso da língua em práticas sociais de leitura e escrita.
Segundo Magda Soares, o desenvolvimento de habilidades de uso da tecnologia da escrita, isto é, da apropriação do sistema alfabético e ortográfico, acontece por meio da inserção em práticas sociais que envolvem a leitura e escrita: letramento.
Letramento é: usar a leitura e a escrita para seguir instruções (receitas, bula de remédio, manuais de jogo), apoiar à memória (lista), comunicar-se (recado, bilhete, telegrama), divertir e emocionar-se (conto, fábula, lenda), informar (notícia), orientar-se no mundo (o Atlas) e nas ruas (os sinais de trânsito)...
O letramento tem início quando a criança começa a conviver com as diferentes manifestações da escrita na sociedade e se amplia cotidianamente por toda vida, com a participação nas práticas sociais que envolvem a língua escrita. Abarca as mais diversas práticas de escrita na sociedade e pode ir desde uma apropriação mínima da escrita, tal como o individuo que é analfabeto, mas letrado na medida em que identifica o valor do dinheiro e o ônibus que deve tomar, consegue fazer cálculos complexos, sabe distinguir marcas de mercadorias etc., porém não escreve cartas, não lê jornal, etc. Se a criança não sabe ler, mas pede que leiam histórias para ela, ou finge estar lendo um livro, se não sabe escrever, mas faz rabiscos dizendo que aquilo é uma carta que escreveu para alguém, é letrada, embora analfabeta, porque conhece e tenta exercer, no limite de suas possibilidades, práticas de leitura e de escrita.
Para Soares, o aprendizado da tecnologia da escrita e o uso da mesma em diferentes práticas sociais constituem dois processos simultâneos, interdependentes e indissociáveis. Estas duas aprendizagens se fazem ao mesmo tempo, porém uma não é pré-requisito da outra.
A alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da alfabetização.
Alfabetizar letrando significa orientar o/a alfabetizando/a para que ele/a aprenda a ler e a escrever na perspectiva da convivência com práticas reais de leitura e de escrita. Isto implica em substituir as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos.
ALFABETIZAR LETRANDO: ação de ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais de leitura e escrita.



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