segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um pouco de Sylvia Orthof




A estrela dorminhoca
Uma estrela dorminhoca
dorme e ronca a noite inteira.

Que estrela de doideira,
que estrela preguiçosa!

Todas, todas as estrelas
dormem só durante o dia.

De noite, elas acordam,
sacodem as cabeleiras
feitas só de diamantes.

Mas a tal da dormideira
ronca, ronca numa nuvem
debaixo do seu lençol.

Acorda de madrugada,
esfrega os olhos, rosada,
dormiu a noite inteirinha.

Depois fica amarelada,
levanta, toda assanhada,
dourada Estrela Sol!

(Sylvia Orthof. A poesia é uma pulga. São Paulo, Atual, 1992.)




SYLVIA ORTHOF

UM POUCO SOBRE A AUTORA
Nascida no Rio de Janeiro, em 1932, Sylvia Orthof estudou
teatro em Paris. Foi atriz profissional durante muitos anos, tendo
integrado o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia. Foi professora
de teatro da Universidade de Brasília e coordenadora
de Teatro do Sesi. Começou a escrever pequenos trechos de
dramaturgia para seus alunos. Em 1975, ganhou o 1o lugar no
Concurso Nacional de Dramaturgia Infantil Guaíra, do Paraná,
com o texto A viagem de um barquinho. Em 1981, tornou-se
colaboradora no setor de histórias infantis da revista Recreio,
da Editora Abril. Editou mais de oitenta títulos. Ganhou diversos
prêmios, entre eles: O Melhor Para a Criança; Jabuti; Certificado
de Honra do IBBY; Prêmio Molière de Teatro Infantil. Faleceu
em 1997.




Vassoural
A bruxa tem um jardim
plantadinho de vassouras.
Quando as vassouras se esticam,
amarelam bem maduras,
elas se largam no chão
e voam pela noite escura.
Varre, varre, vassourinha
varre o preto e mostra a lua,
varre a noite, limpa a estrela
poesia ninguém segura.

(Sylvia Orthof. A poesia é uma pulga. São Paulo, Atual, 1992.)





A viagem de
um barquinho








RESENHA


Era uma vez um menino que, de um jornal, fez um barquinho
de papel. Era uma vez uma lavadeira, meio doida, que, de um
pano azul fez um rio. O barquinho se foi pelo rio e o menino,
para trazê-lo de volta, encetou viagem com a lavadeira, levando
suas preciosas quinquilharias num carrinho de feira. Na viagem,
encontraram dois cavaleiros orgulhosos; mas um deles perde o
cavalo, que se apaixonara pela patinete do menino. E a lavadeira
vai ensinando ao menino que tudo na vida é mudança. Depois,
encontram um sapo que já tinha sido rei e também o sol, que
não quis dizer onde estava o barco, pois não gostava de ser dedoduro.
Por fim, o menino encontra um veleiro; reconhecendo nele
seu velho barco, pede-lhe para voltar. Mas o veleiro diz que não
pode, pois já provara a liberdade do mar. O menino entende que
nada na vida é para sempre.

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